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27 de abril de 2013

Ultima Carta

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Entre  linhas: Um pedido de desculpas, um pedido de socorro e o endereço de onde me perdi. 
“Pausa para um café, dois cigarros quebrados e o amor da sua vida longe, como tudo foi ficar assim? Talvez você não queira ver, mas você sabe que o erro é você, mas ao menos você tenta se corrigir, você não mente, mas também não sabe dizer a verdade, enrola, se embola, mas tudo começou com o filme Enrolados, deve ser sorte, mesmo não acreditando nela, é sorte. Não acredito no amor e mesmo assim o amo. Talvez nós tenhamos começado errado, deveríamos ter começado com Querido John, ou talvez P.S eu te amo, ou os meus preferidos Ele não está tão afim assim de você ou Sexo sem compromisso. Deveríamos ter ficado nus, libertos de mentiras, ter nos conhecido a fundo, ter feito sexo, talvez agora não estivéssemos numa leve pausa para o café.
Eu era dessas que dizia que fumava porque achava onda fumar, mas sem agüentar nem a fumaça dos fumantes ao redor, se eu continuasse na minha teoria de nunca me apaixonar talvez fossem menos dois cigarros quebrados perdidos numa floresta de gente e luzes. Eu mentia para amenizar a tensão, você dizia a verdade ou a ocultava para que desse certo em águas cristalinas. De cristal só restou o meu amor, forte, impossível de se desmanchar, brilhante, valioso, desejado; hoje rejeitado. Daí você diz para não chorar, choro. Choro impulsivamente 7 horas por dia, 17 horas de sorriso, pensando que se tivéssemos dado certo, iríamos ser tão lindos juntos, sinto falta do seu conforto, sinto falta de sorrir pelo presente, sinto tanta falta de você. Estou perdida, ferida, não sei nem dizer o que sinto ou como estou. Sei que o erro é meu, mas tento me consolar, pois, já é sofrimento demais, você não está. Voltando a parte que nos perdemos, quando deixamos de render? De quinta, quinta me apaixonei por você novamente; e a cada palavra que você dizia eu imaginava seu sorriso boquiaberto próximo a sua felicidade, me senti capaz, porque na quinta fase desse jogo, numa quinta-feira senti que te fiz feliz uma vez e no fundo, mesmo nos desmanchando, eu só queria te fazer feliz, ao lado de uma pessoa sensata, mas perdi a sensatez quando te proibi de nos imaginar em sonhos, ou de te deixar saber quais são as cores que me compõe, ou deixar que você entrasse na minha vida como um furacão. Pausa, somente uma pausa, quando foi que pensamos que poderia dar errado? No meio de possibilidades, se fosse colocar matemática nessa história de amor, seria 80% a chance de dar errado, 10% a chance deu estragar tudo e os outros 10, agente divide 5 pra distância e 5 pra foto. Não fim não, sabemos se é assim, mais um fim triste, que me transborda, me destrói e me faz pensar em desistir. Suicide, precisa t-r-a-d-u-çã-o? Vamos a uma tradução lógica “feita por mim” do que é a morte, hoje ao tentar dormir sem fazermos as pazes, morri três ou quatro vezes, a morte é o que eu mais temo, ela não é comum, ela é cega e solitária, escura e atrapalhada, você fecha os olhos e se encontra com ela, você tenta abrir os olhos e não consegue, então você puxa a respiração e o seu corpo não obedece, você grita, pede socorro, tenta se mexer e nada, pensa em escolher o bem ou mal, mas não enxerga, tudo desse mundo deixa de existir, menos sua consciência, você pensa em tudo que você fez quando conheceu a vida, e lembra que nasceu chorando e aprendeu a sorrir quando olhou o sorriso tênue da sua mãe, cresce talvez, talvez conhece o amor, e então essa pessoa se torna seu sorriso, se não dormimos bem, podemos morrer como nascemos, chorando, num buraco obscuro cheio de vida morta, sem ter aprendido a sorrir. Nesse caso, a morte realmente não valeria apena, então simplesmente deixaria de viver, deitaria em minha cama, e já que não precisava mais ser bonita, comeria besteiras e engordaria, veria 12 horas de TV, e dormiria 12 horas para sonhar contigo “lá eu estaria viva” pararia de ler, não precisa mais ser culta, fora os detalhes pequenos, não te ligaria, não te atenderia, não te aceitaria de volta, procuraria uma forma óbvia que me fizesse sofrer, pois acho que mereço. Deixando claro, temo a morte. Não, não quero morrer, apenas não sei viver. Mais dois cigarros, mais um tempo, mais perdidos estamos, mais amor, eu te amo. Mais desejo seus lábios, mais longe de você estou, mais próxima do fim, por fim, não quero desistir de nós, pois, ainda tenho você dentro de mim, e mesmo chorando, vou esperar o café esfriar, deixar os cigarros apagarem e deixar que o oxigênio volte a ser o maior motivo fora de mim, que me faça viver. Entramos então na parte do perdão, sabe acho que a parte do perdão vem em todas as delongas, pois, bem. Perdoar é bíblico, mas só conhece até então uma pessoa que foi capaz de perdoar, e não era humana. Nós humanos não somos capazes dessa proeza a não ser que estivéssemos amando, você ama? Acredito que sim, porque, vamos a minha apresentação do que é você: Perdido talvez para agradar alguém, achado, e conseqüentemente, agradando o pesquisador, pois o mais belo tesouro, nunca explorado a fundo. Sinto seu coração bater ao falar “eu te amo”, sinto quando está mentindo, mesmo que seja, uma mentira não ofensiva, se é que ela existe. Sinto que apesar de não estar triste, ta ruim pra você também. Mesmo que você fuja, pois, sei que coisas intensas te assustam, e eu sou o sinônimo do exagero e drama, enquanto isso, você trama uma maneira de correr, mas seu celular continua ligado, e você continua a espera de ver o meu brilho, ou talvez meu medo, você quer me proteger? Você talvez tente me esquecer com cigarros, cerveja, putas e amigos, talvez consiga, a sensação é ótima, mas quando toca uma música que você me lembre, talvez você se pergunte onde estou como estou, e como anda meu sorriso, se ele ainda está vivo, mesmo sem você, esclarecendo isso: “meu sorriso se apagou e por mais que esteja sorrindo, não é de felicidade” então vamos a minha música preferida de nós: “Eu juro, te juro amor eterno” e vai ser, bem assim, eu vou casar, ter filhos, morar numa casa de frente ao mar, ter um cachorro chamado “Duck” e um filho chamado Daniel, mas não vai ser Junior, vai ser só Daniel, a pergunta lógica: “Porque Daniel?” a resposta mais ou menos lógica: “Uma certa vez sonhei com um anjo, e ele me ensinou a amar, e me ensinou a me enxergar e me aceitou da forma que eu sou, e me fez entender que não adianta tentarmos ser o que não somos para agradar alguém, se esse alguém se apaixonou por nós, mentiras funcionam nas primeiras vezes e depois elas perdem o efeito, esse anjo me ensinou a amar e depois ao abrir os olhos, se foi” então é assim que te vejo, me enxergo em você. E perdoar é raro, tem que ser de coração, ou perdoa, ou magoa. Mas por enquanto, torno a escrever, com café e cigarros…”




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